Uma Sinfonia Fogosa

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Musicália

Uma Sinfonia Fogosa




Uma Sinfonia Fogosa
Retrato do Rei Louis XV aos cinco anos de idade | Pintura de Hyacinthe Rigaud (1659–1743) | Fonte: Wikimedia Commons
 

O Rei Luís XV também dançava. No último dia de 1721, com apenas onze anos de idade, o monarca participou com outros membros da corte na estreia da Opéra-ballet Les élémens, no Palácio do Louvre. A composição da música foi repartida entre dois músicos, André Cardinal Destouches e Michel-Richard de Lalande, não se sabendo ao certo a quem pertence cada uma das partes. Para lá da Abertura e das Danças, incluía quatro «Entradas» dedicadas aos quatro elementos que, segundo as teorias acreditadas na época, estavam na origem da existência.

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Johannes Brahms em 1889  | Fonte: Wikimedia Commons
 

Brahms compôs a 3.ª Sinfonia em apenas quatro meses, um período de tempo que se considera extraordinariamente curto, se comparado com os quinze anos que necessitou para completar a primeira, até 1876. Mas existe uma explicação para tamanha demora. Numa carta dirigida a uma amigo, Brahms escreveu em 1872: «Não podes imaginar a sensação constante de ouvir um gigante a caminhar por detrás de ti». Esse gigante era Beethoven.

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UMA SINFONIA FOGOSA
 
À Sinfonia N.º 59 de Haydn, foi atribuído o título apócrifo «Fogo», devido à sua impetuosidade, mas também por ter sido tocada no entreato de uma peça teatral intitulada «A conflagração». Esta tinha a autoria de G. F. W. Grossman (1746-1796) e foi representada em 1774 no Palácio dos Esterházy por uma companhia itinerante. A sinfonia havia sido composta, todavia, cinco ou seis anos antes.
 
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    Percorrendo os livros de História, encontramos muitos exemplos em que a representação do Fogo inspirou a expressão artística. Com efeito, a destruição, a impotência e o horror eram recursos dramáticos que não passavam despercebidos às artes cénicas. No caso da Música não havia uma pretensão ilustrativa, mas esta projetava-se numa retórica de escrita que favorecia a criação de efeitos dinâmicos e uma afetação emocional que permitiam que se fizesse a associação. No caso da Sinfonia N.º 59 de Haydn, a sugestão refere-se, sobretudo, ao primeiro andamento, o Presto. Desde logo, e sem qualquer introdução majestosa, o início irrompe com saltos intervalares bruscos e repetitivos. Reconhece-se assim as referências estéticas do Sturm und Drang, com sucessivos contrastes e variações de humor. No tema melódico principal repete-se sucessivamente uma mesma nota, impulsionando a música sempre para diante. Há ritmos sincopados e alterações repentinas das intensidades, em particular na secção de desenvolvimento. Essa repetição obstinada faz-se acompanhar de uma nota estática na trompa, o que reforça o efeito dramático.

 

    Não deixa de ser curioso saber que a ameaça dos incêndios era uma realidade que o compositor conhecia bem. A sua casa, em Eisenstadt, situada no centro da cidade, próxima do Palácio, foi destruída por duas vezes na sequência de fogos que assolaram a povoação, em 1766 e 1768. Nessas ocasiões, Haydn perdeu diversas partituras e teve de se juntar à população que, com os escassos recursos de que dispunha, combatia as chamas.

 

 

Fogo - Ar, Água, Terra


Orquestra Metropolitana de Lisboa

 

Cravo e Direção Musical: Aapo Häkkinen

 

G. F. Händel Música para os Reais Fogos de Artifício, HWV 351
A. C. Destouches / M.-R. de Lalande Les élémens (Suíte da opéra-ballet)
J. Haydn Sinfonia N.º 59, Hob.I:59, Fogo

 

Sábado, 26 de maio de 2016, Museu Nacional de Arte Antiga

 
 

Na origem, o conjunto de peças orquestrais de Händel que se conhece pelo nome Música para os Reais Fogos de Artifício destinou-se às celebrações que assinalaram no Green Park de Londres o primeiro aniversário do Tratado de Aix-la-Chapelle, o qual em 1748 dera término à Guerra da Sucessão Austríaca. Acorreram então ao coração da capital inglesa inúmeros especialistas em pirotecnia para preparar fogos de artifício deslumbrantes. A eles juntaram-se vários cenógrafos da Ópera de Paris que participaram na construção de palcos grandiosos.

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Chorale é uma peça orquestral de Magnus Lindberg que foi composta no mesmo ano do Concerto para Clarinete, em 2002. Ao longo de 6 minutos, proporciona uma experiência de escuta imersiva que, de algum modo, se compara à contemplação de um vidro com textura irregular. Por detrás da sua aparência, reconhece-se a presença do hino que encerra a Cantata BWV 60 de J. S. Bach, ainda que transfigurado.

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Desenho do cenário do bailado L’après-midi d’un faune, de Léon Bakst (1912) | Fonte: Wikimedia Commons
 

O PRELÚDIO DE DEBUSSY

Quando em 1892 Mallarmé escutou as texturas sonoras que o seu poema inspirou junto de Debussy, afirmou que nunca imaginaria algo semelhante. Com efeito, a música de Debussy era diferente de tudo o que havia sido feito anteriormente. Veio mesmo a influenciar muito repertório subsequente. Para muitos, o Prelúdio à Sesta de um Fauno representa o início do modernismo musical.

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