Vivaldi versus Piazzolla

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Musicália

Vivaldi versus Piazzolla




Vivaldi versus Piazzolla
 
 
Veneza no início do século XVIII | Pintura de Luca Carlevarijs | Fonte: Wikimedia Commons

 

Os quatro concertos para violino de Antonio Vivaldi conhecidos como As Quatro Estações, inspiram-se nos diferentes cenários que a natureza oferece ao longo do ano. Mais concretamente, baseiam-se em quatro sonetos acerca de experiências de vida que contam já quase três séculos, mas que (por enquanto) continuamos a reconhecer.

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Carl Maria von Weber em 1821 | Retrato de Caroline Bardua | Fonte: Wikimedia Commons
 

Carl Maria von Weber é sobretudo lembrado enquanto compositor de Der Freischütz, a ópera pioneira do drama lírico germânico oitocentista. Não espanta, por isso, que a sua música instrumental seja menos conhecida, mesmo daqueles que frequentam regularmente as salas de concerto. Ainda assim, não sendo de igual modo influente, merece uma atenção particular. Plena de expressividade, é reveladora de uma mestria técnica que sobressai nas duas sinfonias que compôs em 1807.

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Frédéric Chopin tocando no salão dos Radziwiłłs em 1829 (pintura de Henryk Siemiradzki, 1887) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Os concertos para piano de Chopin sempre gozaram de grande popularidade. Mas também têm sido objeto de críticas depreciativas. Sobretudo, estas opiniões focam aspetos relacionados com a construção formal e com a orquestração. Alheiam-se, todavia, de algo essencial: o impacto da vertente performativa como conteúdo estético. Chopin nunca quis escrever sinfonias. Quis, porventura, exibir a sua genialidade, mas sobretudo afetar intensamente o ouvinte com a sua presença. Nesse sentido, foi um verdadeiro mestre da Sedução.

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Antonio Vivaldi cerca de 1725, pintura de François Morellon la Cave| | Astor Piazzolla em 1971 | Fonte: Wikimedia Commons

 
VIVALDI VERSUS PIAZZOLLA
 
A aproximação das figuras de Antonio Vivaldi e de Astor Piazzolla parece um exercício intrigante. Poderia tratar-se de mera provocação ou despropósito. Podia também resultar de uma proposta que, através da confrontação de opostos, pretendesse aguçar a contemplação estética do ouvinte. Mas há afinidades surpreendentes entre os dois compositores que atenuam diferenças tão marcantes como os dois séculos e meio que os separam ou a distância entre os continentes de onde provêm. Em qualquer dos casos, o diálogo entre as Quatro estações, do primeiro, e as Quatro estações portenhas, do segundo, será sempre um bom pretexto musical.
 
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    Por volta de 1720 Vivaldi escreveu as célebres Quatro estações. São quatro curtos concertos para violino e orquestra de cordas, independentes entre si, cada qual composto por três andamentos, conforme a prática corrente naquela época quando se tratava deste formato de composição com solista. Durante mais de duzentos anos as respetivas partituras permaneceram esquecidas, até que nos anos 1950 surgiram vários registos em vinil que lhes trouxeram uma difusão à escala mundial e devolveram ao compositor da cidade de Veneza o merecido reconhecimento generalizado. Poucos anos mais tarde, Piazzolla evocou-as de modo explícito nas Quatro estações portenhas. Foi a homenagem de um dos músicos mais originais do século XX a um extraordinário músico do século XVIII, um dos mais notáveis de todos os tempos.

 

    Piazzolla tinha ascendentes familiares italianos oriundos das regiões da Apúlia e da Toscânia que imigraram na Argentina em finais do século XIX, ao encontro da prosperidade económica que aí se fazia sentir naquela época. Este é o primeiro laço afetivo que se destaca entre os dois compositores. O segundo, tendo em consideração que Vivaldi foi ordenado padre mas nunca chegou a exercer o sacerdócio, decorre da disposição luxuriante da sua música, a qual converge com a personalidade libertina que todos associamos à figura Piazzolla, que também não era um menino de coro. Igualmente relevante, é a circunstância de ambos terem sido excecionais intérpretes virtuosos do seu instrumento e de darem grande importância à componente espetacular da apresentação ao vivo: Vivaldi no violino, Piazzolla no bandoneón. Terá sido o próprio Vivaldi quem tocou a parte de violino quando da estreia dos seus concertos, provavelmente à frente da orquestra privada de um aristocrata. Já Piazzolla, também ele tocou a parte principal da sua música, se bem que à frente do conjunto de músicos que normalmente o acompanhava. A versão que se ouve mais frequentemente resulta de uma adaptação para acordeão e orquestra.


 
Orquestra Metropolitana de Lisboa
Violino e Direção Musical: Ana Pereira

Antonio Vivaldi – As Quatro Estações

Concerto para Violino em Mi Maior, Op. 8/1, RV 269, Primavera
Concerto para Violino em Sol Menor, Op. 8/2, RV 315, Verão
Concerto para Violino em Fá Maior, Op. 8/3, RV 293, Outono
Concerto para Violino em Fá Menor, Op. 8/4, RV 297, Inverno
 
 Astor PiazzollaQuatro Estações Portenhas (arranjo de Leonid Desyatnikov; 1965-1970)
 
 
 
«El Viejo Almacén», restaurante em Buenos Aires dedicado ao tango nos anos 1970 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Astor Piazzolla morreu em 1992, aos 71 anos de idade. Foi ele quem renovou o Tango, acrescentando-lhe técnicas jazzísticas e o seu natural talento para improvisar no bandoneón, mas também influências da tradição musical clássica europeia. As Quatro estações portenhas são bom exemplo disso. Traduzem-se num diálogo com as Estações de Vivaldi, tendo como pano de fundo as paisagens «portenhas».

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Praga em 1853 | Pintura de Ferdinand Lepié | Fonte: Wikimedia Commons

 

W. A. Mozart esteve em Praga em três ocasiões: primeiro no início de 1787, depois em outubro e novembro do mesmo ano, e ainda pouco antes do final da vida, em 1791. As suas obras que estão mais estreitamente ligadas à história daquela cidade são as óperas As bodas de FigaroDon Giovanni e La Clemenza de Tito. Mas também a Sinfonia Praga. Curiosamente, quando esta obra foi composta, em 1796, o compositor não tinha em mente a capital checa, mas sim uma viagem a Inglaterra.

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Daguerreótipo de Józef Michał Poniatowski (1816-1873) | Fonte: BnF Gallica
 

«Na partitura da Missa em Fá Maior [de J. M. Poniatowski], dedicada ao Rei de Portugal Dom Luís I, está presente a influência dos mestres do bel canto italiano, tais como Gaetano Dionizetti e Gioacchino Rossini. Todavia, também é possível reconhecer a proximidade com Georg Friedrich Händel (nos momentos enérgicos com técnicas fugadas, ou no modo como o coro intervém) e com o próprio estilo romântico. A conceção grandiosa da forma musical cruza-se com o lirismo religioso. A imponência das linhas vocais harmoniza-se com um atmosfera contemplativa e comovedora. A narrativa dos sons foca-se em palavras-chave que traduzem a mensagem da Missa.»

 

Excerto do texto «Com cara nova. Ite, missa est…»

assinado por Małgorzata Janicka-Słysz

 

Ler o texto na íntegra